Congresso Internacional Movimentos Docentes acontece na semana do dia dos professores e é considerado o maior evento online da área
Com o tema ‘Quando o professor sonha, a educação transforma’, o VI CMD debate os rumos da formação docente diante de desafios globais como a inteligência artificial e as mudanças climáticas.
Com mais de 45 mil inscritos e alcance em 115 países acumulados entre 2020 e 2025, iniciativa que nasceu do grupo de pesquisa Movimentos Docentes/Unifesp, criado em 2010 pela profa. Marilena Rosalen (membro do IHGP e do Conselho Editorial de O Democrata), reúne educadores do Brasil e do exterior, amplia sua presença no debate público e defende a formação docente como caminho para a transformação social.
Nos tempos atuais, as mudanças climáticas, o avanço da inteligência artificial, as desigualdades sociais e os desafios crescentes enfrentados nas escolas, nos levam a uma pergunta: como preparar professores para educar em um mundo que parece mudar mais rapidamente do que conseguimos compreendê-lo?
É a partir dessa provocação que o VI Congresso Internacional Movimentos Docentes (CMD 2026) será realizado, entre os dias 14 e 16 de outubro, em formato virtual, reunindo professores, pesquisadores, estudantes, gestores educacionais e representantes de instituições brasileiras e estrangeiras. Com o tema “Quando o professor sonha, a educação transforma: formação docente para um planeta em crise”, o encontro propõe discutir o presente e, sobretudo, imaginar os caminhos possíveis para o futuro da educação.
A iniciativa é promovida pela Rede Internacional Movimentos Docentes (Rede MD), que construiu, ao longo dos últimos anos, um espaço de colaboração entre profissionais da educação básica, universidades e instituições de pesquisa. O congresso, realizado desde 2020, tornou-se uma das principais ações dessa trajetória e chega à sexta edição com uma proposta que ultrapassa os limites de um evento científico tradicional: aproximar pesquisas e experiências, valorizar os saberes produzidos nas escolas e ampliar a participação dos professores nas discussões sobre as políticas educacionais.

Grandes nomes, experiências e debates que ajudaram a construir a história do CMD
Ao longo de suas edições, o Congresso Internacional Movimentos Docentes reuniu pesquisadores, intelectuais, especialistas e professores de diferentes países, promovendo discussões que vão da alfabetização à gestão escolar, da formação inicial à valorização profissional, das tecnologias digitais às questões ambientais.
Entre os nomes que já passaram pelo congresso, destacam-se: o sociólogo e educador Pedro Demo, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB); o historiador Leandro Karnal, conhecido por suas reflexões sobre ética, sociedade e os desafios contemporâneos; o educador e antropólogo Carlos Rodrigues Brandão, uma das grandes referências da educação popular no Brasil e do pensamento inspirado em Paulo Freire; e a pesquisadora Bernardete Gatti, cuja trajetória acadêmica é fundamental para compreender as políticas de formação, profissionalização e valorização docente no país; o pedagogo José Carlos Libâneo, referência nacional nos estudos sobre didática, pedagogia e organização do trabalho escolar; a filósofa e escritora Viviane Mosé, que aproxima filosofia, educação e questões da vida contemporânea; o educador Pedro Cortella, reconhecido por suas reflexões sobre conhecimento, ética, convivência e o sentido social da educação. Na literatura, destacam-se as participações de: Pedro Bandeira, Monja Coen, Raquel Alves, Tate Ferreira, Rodolfo Capler e, internacionalmente, nomes como: Edgar Morin, Francisco Imbernón e Michael Apple.
Uma rede que ultrapassa fronteiras
Os números ajudam a dimensionar a expansão do congresso e das iniciativas desenvolvidas pela rede. São mais de 45 mil inscritos ativos, participantes alcançados em 115 países e presença nos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal.
Os registros institucionais apontam ainda mais de 13 mil professores autores, 3.796 apresentações e palestras e aproximadamente 600 mil participações nas transmissões pelo YouTube.
Os indicadores representam modalidades diferentes de participação e alcance, revelando a dimensão que a iniciativa alcançou em poucos anos.
A expansão territorial se reflete na diversidade das experiências compartilhadas. Professores de pequenas cidades, redes municipais e estaduais, universidades, institutos federais e instituições estrangeiras passaram a encontrar no CMD uma oportunidade para apresentar pesquisas e práticas pedagógicas, muitas vezes desenvolvidas fora dos grandes centros acadêmicos.
É também nesse processo que a Rede MD fortalece uma concepção de formação docente que não se limita à transmissão de conhecimentos produzidos por especialistas. A escola, a universidade e os diferentes espaços educativos são compreendidos como lugares de produção de saberes, nos quais a experiência profissional, a investigação científica e a colaboração se complementam.
Em 2026, o desafio é educar em um planeta em crise
Se nas edições anteriores o congresso discutiu a construção de redes, o futuro da formação e a valorização profissional, em 2026 o encontro amplia seu horizonte para uma questão que atravessa diferentes sociedades: as crises contemporâneas e seus impactos sobre a educação.
O tema “Quando o professor sonha, a educação transforma: formação docente para um planeta em crise” reconhece que a escola não está isolada das transformações do mundo. Eventos climáticos extremos, insegurança alimentar, desigualdades, circulação de desinformação, conflitos sociais e mudanças tecnológicas afetam diretamente as condições de ensinar e aprender.
O avanço das ferramentas de inteligência artificial, por exemplo, levanta questões sobre autoria, pensamento crítico, ética, avaliação e autonomia pedagógica. Ao mesmo tempo, a emergência climática exige novas abordagens de educação ambiental, formação científica e participação social.
Portanto, a palavra sonho, presente no tema do CMD 2026, não aparece como simples expressão de otimismo. Ela representa a capacidade de professores e comunidades educativas de imaginar alternativas, construir respostas coletivas e reconhecer a educação como uma prática que pode transformar realidades. A proposta também convida à reflexão sobre os próprios limites da atuação docente. Não é possível atribuir exclusivamente aos professores a responsabilidade de solucionar crises estruturais, mas é necessário reconhecer que a formação docente desempenha papel fundamental na construção de sociedades mais democráticas, sustentáveis e comprometidas com a vida.
É essa tensão entre as dificuldades cotidianas do presente e a possibilidade de construção de outros futuros que orienta a sexta edição do congresso.
Marcelo Tas, Miguel Zabalza, pesquisadores internacionais e professores de educação básica e ensino superior integram a programação
A programação de 2026 reúne pesquisadores e profissionais de diferentes áreas e países, com atividades dedicadas ao pensamento crítico, à inclusão, à formação inicial e continuada, às relações étnico-raciais, às tecnologias educacionais e à responsabilidade socioambiental.
O pesquisador espanhol Miguel Ángel Zabalza, da Universidade de Santiago de Compostela, discutirá a importância dos diários de professores e estudantes como instrumentos de aprendizagem, reflexão e desenvolvimento pessoal.

Um dos destaques será a participação do comunicador e educador Marcelo Tas, no dia 15 de outubro, Dia dos Professores, com a atividade “Porque ‘sim’ não é resposta!”, dedicada ao pensamento crítico, ao excesso de informações e aos desafios contemporâneos da educação. O bate-papo será apresentado por Marilena Rosalen.

A abertura acadêmica também contará com a participação de Cristiana Madureira, de Portugal, e Mário Viché, da Espanha, em uma reflexão sobre a capacidade transformadora da educação. Entre os convidados internacionais estão ainda Adriano Niquice, de Moçambique, e Eric Plaisance, da França, com apresentação de Eric Passone (UNICID) que contribuirão com discussões sobre culturas docentes, ética e educação inclusiva. A programação contempla ainda tem a presença de Mirian Vilela, vinculada à iniciativa internacional Carta da Terra, com uma palestra sobre a urgência da consciência planetária, além de mesas sobre inteligência artificial, formação de professores indígenas, gestão educacional e violência escolar.

Inscrições e Programação
Os encontros buscam aproximar diferentes perspectivas para discutir desafios que não se restringem a uma disciplina ou etapa de ensino. Questões como a crise ambiental, a saúde dos professores, a inclusão e o uso responsável das tecnologias exigem diálogo entre áreas do conhecimento, políticas públicas e realidades escolares.
Serviço
VI Congresso Internacional Movimentos Docentes (CMD 2026)
Data: 14 a 16 de outubro de 2026
Formato: On-line, com participação gratuita nas atividades, com transmissão pelo canal do Movimentos Docentes no Youtube.
Inscrições: Abertas
Submissões de trabalhos: Até 18 de outubro de 2026
Programação e inscrições: https:// congresso.movimentosdocentes. com/2026
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