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Famílias estão lendo pouco para os filhos

Atualizado: 10 de mai.

Estudo divulgado na última terça-feira, dia 05/05, realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta que 53% das famílias brasileiras não leem ou raramente leem livros para suas crianças de 5 anos matriculadas na educação infantil dos três estados que participaram da pesquisa – Pará, Ceará e São Paulo. Um relatório produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, 2020), apontou que aproximadamente 4,6 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos viviam em condições de pobreza na América Latina e que a cada 10 crianças de 3 a 4 anos de idade, apenas 6 eram matriculadas, educadas e cuidadas em uma escola.


Quando esse dado é relacionado ao levantamento da OCDE, o cenário se torna ainda mais preocupante. O número de crianças que vivenciam práticas de leitura compartilhada em casa pode ser menor do que a porcentagem inicial sugere.


Um outro dado relacionado é sobre alfabetização: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou relatório em 2022 que apontou que no Brasil, entre 2019 e 2021, aumentou 66,3% o número de crianças entre 6 e 7 anos que não sabiam ler e escrever.


Mas qual é a importância dos dados acima? Alguns estudiosos alinhados ao pensamento de Vygotsky, como Teberosky (2003), chama de “prática letrada” quando o adulto é o mediador entre o texto e a criança que ainda não sabe ler, ou seja, quando o adulto lê um livro para a criança, o que propicia a constituição de conhecimentos sobre o mundo, a linguagem e a escrita. Em outras palavras, quando o adulto lê um livro para uma criança, ele está incentivando o seu processo de alfabetização. Também, este processo favorece que a criança seja um adulto que aprecie ler livros, que tenha gosto pela leitura.


E foi isto que aconteceu em minha casa. Quando minha filha tinha 4 anos, nasceu meu filho. Todas as noites, eu ou meu marido líamos um ou dois livros para ela. Desde bebê, meu filho ficava ao lado dela prestando atenção na história. Alguns livros a gente sabia de cor, de tanto que já tinha lido. Outros, que eles gostavam muito, ficaram um pouco prejudicados, de tanto serem manuseados.



Com 2 ou 3 anos, ele também queria escolher livro para a gente ler. Então cada um escolhia um livro, às vezes, dois, e às vezes, meu filho vinha com uma “pilha” de livros (não sei se ele gostava mais de ouvir histórias ou de ficar acordado – em alguns momentos a gente dormia lendo o livro e ele cutucava a gente). Foram bons momentos, que deixaram boas memórias. Hoje, os dois são bons leitores e escritores.


Por outro lado, o mesmo estudo da OCDE, divulgado na última terça-feira, a partir de entrevistas com os pais, apontou que 50,4% das crianças de 5 anos utilizam equipamentos digitais todos os dias, como computador, tablet, notebook e celular. Destaca-se que a média dos países participantes do estudo é de 46%, ou seja, o Brasil apresenta uma porcentagem de uso de telas um pouco acima da média. Também, o estudo mostrou que: apenas 19% das crianças usam os dispositivos digitais de 3 a 7 vezes por semana em atividade educativa; e apenas 11,4% das crianças do estudo nunca ou quase nunca usam dispositivos digitais.


A primeira infância, período que vai do nascimento até os 6 anos, é uma fase primordial para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças. Alguns estudos apontam que o uso de telas, sem supervisão, pode impactar no desenvolvimento integral das crianças, uma vez que ela necessita de capacidade de interação social, afeto e segurança. Para isso, é importante incentivar as brincadeiras que oferecem interação social, contato com o entorno da moradia da criança e leitura de livros, com a mediação de adulto.


No entanto, muitas vezes, as interações sociais físicas são substituídas por experiências digitais, que parecem ser atividades positivas, mas afetam o desenvolvimento de habilidades sociais e de empatia e ainda favorecem o aparecimento de intolerância à frustação, irritabilidade e ansiedade.


Desta forma, existe a necessidade de supervisão da família e a definição de limites para o uso de telas. A utilização de dispositivos digitais precisa ser equilibrada com experiências/interações humanas para se garantir um bom desenvolvimento integral da criança.


Ler para uma criança é uma forma de presença, enquanto as telas aceleram estímulos e dispersam a atenção, a leitura compartilhada exige pausa, escuta e vínculo.




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