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A Universidade e a democratização do conhecimento

Por: Camila Arriel¹

Diadema, 30 de agosto de 2020


Você já reparou se a forma como você se comunica é acessível para todos em seu entorno? O seu conhecimento científico chega até o seu bairro? Você consegue transmitir o que aprende para os seus amigos, sua família?


Quanto maior o acesso ao conhecimento acadêmico, maior será a representatividade naquele ambiente. É preciso que os jovens, principalmente das periferias, se vejam produzindo pesquisa nas universidades públicas. Ter referências é um instrumento que pode auxiliar muito no processo, quando o jovem vê outras pessoas da sua comunidade na universidade, ele entende que lá também é lugar dele e que ele é capaz de estar lá produzindo conhecimento e incentivando outros jovens.


Atualmente, estudantes dos cursos de Ciências Humanas de grandes instituições de ensino do país, como a USP, têm produzido conteúdos de divulgação científica nas redes sociais. Projetos como esse levam a Ciência e informação para além dos muros da universidade, cooperando para a democratização do ensino e contribuindo para que as pessoas que não tem acesso a temáticas como filosofia e sociologia, se apropriem desses conhecimentos por meio de uma linguagem simples e acessível, com exemplos do dia a dia, vividos pela comunidade onde estão inseridos.


A não popularização do conhecimento no Brasil pode trazer muitas consequências, como a divulgação de notícias falsas (famosas fake news), ou sem comprovação e nenhuma fundamentação teórica. A problemática se agrava em situações onde a negociação depende de linguagem técnica, como em licenciamento ambiental, os impactos causados por grandes empreendimentos são descritos em documentos como Relatórios de Impactos Ambientais e que muitas vezes vem cheios de linguagens técnicas e inacessíveis ao público que será diretamente afetado.


Segundo a pesquisadora Viviane Rosa Querubim, “as universidades não estão preparadas para receber os alunos”, é importante ressaltar que a universidade também precisa estar apta para quebrar as barreiras da elitização do ensino, sendo elas um dos pilares de geração da mesma. Paulo Freire defendia que estudantes e professores precisam dialogar entre si e que a democratização da universidade ocorra por dentro e por fora. O desenvolvimento critico e participativo deve ser incentivado neste espaço também, para, assim, ser difundido de forma eficaz para todos, um estudante bem preparado e com ensino de qualidade, hábil a refletir criticamente, levará seus conhecimentos para o mundo à sua volta, contribuindo para sua difusão.


Outro papel importante das universidades nesse processo de democratização é a extensão universitária, contribuindo para a conexão entre a comunidade acadêmica e a comunidade local onde ela está inserida. Universidades como a Unifesp realizam projetos de extensão coordenados pelos estudantes universitários, como cursinhos pré-vestibulares gratuitos e de qualidade, para auxiliar os jovens a ingressarem no ensino superior.


O ensino gera referências para diversas camadas da sociedade, quando o cidadão se apropria do conhecimento, ele consegue entender a sua posição como indivíduo na sociedade, criando autonomia e participando ativamente de debates sociopolíticos importantes, deixando de pensar só em si e passando a pensar também no coletivo.


Sugestões de leitura:


MASCARI, F. Jovens traduzem conteúdo acadêmico para a linguagem periférica. Rede Brasil Atual – Educação: Conhecimento e Inclusão, 2020. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2020/08/chavoso-usp-linguagem-periferica. Acesso em: Ago. 2020.


ALVES, A. Teoria de Paulo Freire é pensada no contexto de democratização do ensino superior. 23/10/2013 - Ano: 46 - Edição Nº: 86 - Educação - Faculdade de Educação. Disponível em: http://www.usp.br/aun/antigo/exibir.php?id=5558. Acesso em: Ago. 2020.



¹ Discente de Ciências Ambientais. É extensionistas no Programa de Extensão Universitária “Escolas Sustentáveis” da Universidade Federal de São Paulo.




 
 
 

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