Um novo ciclo para novos diálogos

Atualizado: Jun 29

Arnaldo Silva-Junior

Mauá, 21 de abril de 2021


Há um ano, a ficha sobre a gravidade e extensão da pandemia ainda não havia caído completamente. Muitos de nós acreditávamos que o vírus teria estadia breve. Pois bem, hoje sabemos que não é exatamente o que aconteceu. O que fizemos? Tocamos em frente, na medida em que as condições nos autorizaram.

Ao examinarmos a experiência do Projeto Colunas do Observatório de Educação e Sustentabilidade (ObES) da UNIFESP-Diadema em 2020, que originou o livro Quarentenando (VIESBA; ROSALEN, 2020), identificamos uma abordagem ampla de assuntos, manifestada nos distintos pontos de vista do grupo de colunistas. Também em 2020, tivemos a oportunidade de prestigiar e participar da edição virtual do evento A Conferência da Terra, no qual apresentamos nossa análise e discussão de 36 dos textos do projeto e, assim, o trabalho foi publicado (PAIVA et al., 2021) como capítulo do e-book Terra: A Saúde Ambiental para a Vitalidade do Planeta.


É notável como a pandemia transpassou boa parte das colunas, pois, afinal de contas, falávamos propriamente da crise sanitária ou de assuntos que se entrelaçam a ela. E claro, o processo educativo também estava incluso em nossas discussões, visto que:

como docentes, estudantes e amantes do educar que somos, tudo nasce, flui e desagua na Educação.

Além da pandemia e da Educação, a Sustentabilidade – de forma esperada – se destaca nas colunas em função da natureza do nosso Observatório e do perfil de seus integrantes. Outros temas, como: meios de comunicação, saúde mental, consumo, tecnologia, cultura e cooperação também marcaram presença. Mas, dentre todos os tópicos levantados, a desigualdade social teve uma atenção especialmente generosa, como não poderia deixar de ser. O verbo “escancarar” – não somente em nossas colunas – foi muito requerido nesses últimos meses para apontar os flagrantes descasos sociais brasileiros.


Não que os abismos sociais estivessem invisíveis, mas, de certa forma, o coronavírus e, sobretudo, o modo como nossas lideranças lidaram com ele, desadormeceu parte da indignação das pessoas. Perda de entes queridos, desemprego, falta de renda, insuficiência ou inexistência de respaldo governamental, ausência de estrutura adequada para o estudo domiciliar, ansiedade, depressão etc. Vimos de tudo isso, não um pouco, mas muito. Indignar-se é fundamental, no entanto não é suficiente.


A cada dia que acordamos somos convidados compulsoriamente a viver mais uma vez a realidade brasileira, com tudo aquilo que ela circunscreve ao pacote. A despeito dos desafios que o correio dessa realidade nos entrega, todo dia também é uma nova chance para o otimismo. Uma nova chance para a esperança, para mirarmos no horizonte da utopia. Em outras palavras, isso significa deliberar por não perecer, mas, sim, vencer a apatia, o conformismo, os infortúnios, aquilo que é deletério. Nesse sentido, por meio de um novo ciclo de publicação de colunas, temos outras oportunidades de registrar o que sentimos, observamos, identificamos, enfrentamos. E, assim, abrem-se novas possibilidades para o diálogo com que nos lê.


Em 2021 serão dois eixos temáticos: “Educação e Sustentabilidade” e “Perspectiva Geral”, na dinâmica de colunas quinzenais até o fim do ano. Estamos dispostos a continuar a condução da boa conversa e do bom debate ao longo dos textos subsequentes e a expectativa é de que possamos pensar juntos sobre o que nos toca, aflige, alegra e inspira. A conjuntura na qual estamos inseridos nos obriga a valorizar mais o diálogo e a Educação, em defesa da construção de uma sociedade mais justa e sustentável. As demandas são urgentes e a

Educação é o trunfo e o troféu, ou seja, é tanto nossa melhor carta quanto nosso maior prêmio.

Dessa forma, seguimos lutando contra os contextos que constrangem e apequenam a capacidade de plenitude da cidadania. Que possamos dar vazão a insatisfação – no melhor dos sentidos –, isto é, ao estado de não conformidade, ao desagrado que faz mover, que é impulso para alcançar a exuberância que a vida merece. Condição inegociável.


Organizando minhas palavras mais ou menos da maneira como Paulo Freire fazia, espero que conservemos e aprimoremos nossas habilidades de denunciar a injustiça, o intolerável, e que possamos, num futuro breve, anunciar a superação dessas tiranias.


Desejo a todas e todos ótimas leituras ao longo de 2021.



Referências:

VIESBA, Everton; ROSALEN, Marilena (Org.). Quarentenando: perspectivas e narrativas em período de transição. 1. ed. Diadema: V&V Editora. 2020. v 1. 128p.


PAIVA, Giovanna dos Santos Matos; SILVA-JUNIOR, Arnaldo Antonio; VIESBA, Everton; ROSALEN, Marilena Souza. Influências da pandemia: diferentes perspectivas apresentadas em colunas temáticas de opinião. In: SEABRA, Giovanni (Org.). Terra: A Saúde Ambiental para a Vitalidade do Planeta. Ituiutaba: Barlavento, 2021. 1896p.

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